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quarta-feira, 7 de março de 2012

Sobre viagens

“Dois dias de viagem apartam um homem – e especialmente um jovem que não criou raízes firmes na vida – do seu mundo cotidiano, de tudo quanto ele costuma chamar seus deveres; interesses, cuidados e projetos; apartam-no muito mais do que esse jovem imaginava (...). O espaço que, girando constantemente, se interpõe entre ele e o seu local de origem, revela forças que geralmente se julgam privilégio do tempo; produz de hora em hora novas metamorfoses íntimas, muito parecidas com aquelas que o tempo origina, mas em certo sentido mais intensas ainda.”

Thomas Mann - A Montanha Mágica

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Que histórias seu corpo conta?

Esse post é uma blogagem para o quinto tema do Mosaico de reflexões. O tema é exatamente o título desse post, e o selinho desse tema está aqui:


As fotos que se encontram nesse post são de páginas de scrap feitas com fotos minhas (e, ocasionalmente, de outras pessoas junto), que eu mesma fiz. Para conhecer meu trabalho com artesanato, visite meu blog específico, o Lorien´s Workshop.


Acho que meu corpo conta muitas histórias de antes de mim. Mostra de onde meus ancestrais vieram. Costumo brincar que eu herdei o pé gordinho da minha vó, que só cabe confortavelmente em sapatos um número maior que o necessário pelo comprimento do pé, mas não herdei os lindos olhos claros dela. Pelo que me lembro, só um de todos os meus primos os herdou. 


Eu tenho sardinhas, e várias manchas na pele. De um tempo em que minha família tinha dinheiro para morar em um apartamento com piscina, e que podíamos ficar o verão inteiro correndo e brincando na água, e ao redor dela, sem medo dos perigos dos raios ultravioleta, do câncer de pele. Hoje em dia, para pegar aquele sol todo, só se fosse com protetor de alto fator UV. Naquela época, a beira da piscina era o local onde mais me divertia, socializava com outras crianças... Tenho saudades até hoje.



Nunca quebrei ou torci qualquer osso, nunca levei um ponto na vida. E espero não levar tão cedo! Poderia falar de como isso me levou a, quando comecei a pensar em tentar engravidar ir pesquisar sobre lugares bons prá parir, e como descobri os médicos inescrupulosos, a máfia das cesárianas, e que por isso, na minha medida, falo sobre parto normal, natural e humanizado para quem quer que eu possa. Ativismo? Alguns chamam assim. Eu espero que quando eu finalmente tiver meu(s) bebê(s) eu não precise ter uma cicatriz de cesárea, como mais de 50% das mães brasileiras, inclusive a minha mãe. Mas, como existem os (raros) casos de cesárea bem indicada, não dá para descartar completamente essa possibilidade.

Tatuagens, ainda não fiz. Confesso que tenho medo de como elas ficariam quando eu envelhecer. E, se for para fazer, quero fazer em um lugar onde eu veja sempre. Porque deve ser a marca de algo que seja significante para mim, ela deve me lembrar alguma coisa. 

Ainda estou esperando (e já faz quase um ano!) um atendimento ortopédico decente, que me explique bem o que aconteceu com meu tornozelo direito. Tomo a única precaução que parece mais eficaz, andar sempre com calçados de solado duro. Mas ainda assim, algumas vezes, ele incha muito mais que o normal, o pé não cabe em qualquer sapato ou sandália. Isso me preocupa um pouco, principalmente por não saber se um dia eu poderei voltar a dançar, ou fazer artes marciais. Mas nem tanto. Entendo que eu, teimosa como sou, não teria parado se os deuses não tivessem puxado as rédeas. Entendo esse estranho problema no tornozelo como um duplo aviso, e como um chamado. E tenho tentado atender a ele.


Eu uso óculos praticamente o tempo todo. Eles são extensões do meu corpo. Tiro para tomar banho e dormir. Minha visão é muito ruim sem eles, tem momentos em que, sem eles, só vejo borrões, como se o mundo inteiro estivesse com o filtro gaussian blur do photoshop. E, com o passar dos anos, eu aprendi a gostar muito dos meus óculos. Mas isso levou tempo. E eu também tive que aprender a escolher o modelo e a cor certa, que eu gosto. O óculos que estou usando hoje, é o terceiro muito parecido. Não troco com frequencia, entre outros motivos por que as lentes são caras. Então com o tempo aprendi a comprar também armações de qualidade. É uma pena que as armações que eu mais gosto, com clipe para óculos de sol, estão saindo de linha. Por causa daquelas lentes que escurecem sozinhas. Eu realmente prefiro o clipe de óculos de sol, sofro por antecipação por saber que, provavelmente, da próxima vez que precisar trocar não vou achar mais armações com clipe. Melhor cuidar dessas com muito cuidado.


Atualmente, meu cabelo está ao natural. Mas ainda tem uma ponta castanha, de quando eu pintava. Comecei a descolorir o cabelo, com luzes, quando entrei na faculdade. Até fazer isso, eu detestava o meu cabelo do jeito que era. Durante a faculdade, usei o cabelo com luzes, pintado de loiro, ruivo (não vermelho, mas "cabelo de bárbara", como dizia uma amiga), castanho. Quando estava quase decidida a parar de pintar, coloquei um castanho um pouco mais escuro. Decidi não pintar todo do tom natural, porque assim, se me desse vontade de voltar a pintar, a tinta pegaria. Isso foi quando acabei a faculdade. 

E acabei percebendo que já tinha aprendido a gostar do meu cabelo, mesmo do tom natural. Por coincidência, quando ele estava tingido só na metade de baixo, entrou na moda a "tintura californiana", e as pessoas que não me conheciam a longo tempo achavam que era intencional, o que era só o tempo tomando seu curso. Quase não da mais para perceber as pontas castanhas. E os cabelos brancos, que todo o mundo imaginava que fossem chegar cedo, pois no meu pai começaram a chegar quando entrou na casa dos 20, ainda não começaram a aparecer. Ainda penso "quem sabe um dia eu pinte novamente o cabelo?", mas, por enquanto, esse dia me parece distante.

Hoje, eu gosto do meu corpo do jeito que ele é. Com as marcas que tenho, e com as que não tive. Aprendi a gostar de mim, e não foi fácil. Aprendi a dar ouvidos a algumas opiniões, mas não a outras, a não me magoar tanto.

E você? Vai se juntar a nós nesse mosaico de reflexões? Ainda há tempo!




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Bichos e Bruxas - Vila Mariana

Neste fim de semana, estarei atendendo no evento Bichos e Bruxos, um evento beneficente em prol do Quintal de São Francisco, que cuida de animais abandonados.


Eu acompanho o trabalho do Quintal de São Francisco de longe há alguns anos, e estou muito feliz em poder ajudar! Farei consultas de numerologia, focando o ano de 2012. Prestigiem, vai ser muito interessante!

Um pouco sobre ativismo animal: Há vários modos de fazer a sua parte. Eu tenho quatro gatos em casa, adotados diretamente da rua. Três deles fazem um ano semana que vem, e, só depois de adotá-los que eu vi como é caro manter um bicho. Se fosse só a ração, até nem seria um problema tão grande. Mas, para a saúde deles (e nossa), eles precisam ser castrados, vacinados, vermifugados com uma certa periodicidade, e anda precisam de outros cuidados: No caso dos gatos, manter a caixa de areia limpinha não é fácil. E, para que eles sejam dóces e não destruam a casa (hehehe), ainda gostam de brinquedos e arranhadores. Aí, é precsiso uma caixa de transporte, para levar ao vet, coisinhas separadas para higienizar o lugar deles, jeitos de manter os pelos sob controle... é uma reação em cadeia!

Se você não tem tempo/paciência/condções de adotar um gatinho ou cachorrinho, o melhor a fazer é colaborar em ações como as do Quintal, onde você ajuda a manter um lugar onde bichos que estariam na rua são tratados com respeito, alimentados e recebem todos os cuidados necessários.

Espero vocês no Bichos e Bruxos!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Leaving on a Jet Plane

Essa semana cantei, alto e catárticamente, no meio da rua. Não faz nem uma semana, e parece uma eternidade. Que bom!
A idéia era escrever um texto estruturado, mas, onde era mesmo que eu tinha lido sobre o "nostos", o retorno do herói, que deu origem à nossa palavra "nostalgia", a dor pela saudade do que não pode voltar? Fazem tantos anos! Mas esse é um tema que está comigo. Sempre. E volto a ele. Falei um pouco dele no meu último post, pensei que houvesse escrito, no passado, mais sobre isso aqui, mas não acho. Nostalgia, prá mim, vem de antes que eu nascesse.
Não estruturo o texto. Choro, Chro me vê chorando, explico tudo em poucas palavras. Ele pede mais, e eu digo. Ele se atrasa um pouco. Canta junto. Mas logo vai trabalhar.
Nostalgia é uma coisa que trabalho em mim mesma, com poemas e canções específicas. Quando conheço uma nova, decoro. E vou lembrando ao longo da vida. Essa já está comigo há 13 anos e meio. E ainda me emociono. Hoje choro pelo que chorava quando mal entendi a letra, e por tudo o que senti antes e refleti com a música. Me dou conta que criei mais um significado para ela. And I still hate to go...



All my bags are packed I'm ready to go
I'm standin' here outside your door
I hate to wake you up to say goodbye
But the dawn is breakin' it's early morn
The taxi's waitin' he's blowin' his horn
Already I'm so lonesome I could die

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

There's so many times I've let you down
So many times I've played around
I tell you now, they don't mean a thing
Every place I go, I'll think of you
Every song I sing, I'll sing for you
When I come back, I'll bring your wedding ring

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

Now the time has come to leave you
One more time let me kiss you
Then close your eyes I'll be on my way
Dream about the days to come
When I won't have to leave alone
About the times, I won't have to say

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh baby, I hate to go

Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pacto Oculto

4:55, Barra Funda. Depois de um dia de muito sol, chuva-e-sol, com trovões. Entre os transeuntes, um pacto silencioso: Todos andavam sem frescura ou medo, sem guarda-chuva, aproveitando as bênçãos do Céu.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Comprando uma camiseta


Chronos e Lórien estão voltando para casa depois da chuva, quando Lórien vê algo que lhe chama a atenção, e puxa Chronos de volta para a frente da vitrine de uma loja de roupas aparentemente sem graça.
Ló: Olha Chronos, essa camiseta tem os nomes dos ventos!
Chro: (fazendo cara de heinh, e demorando alguns segundos para mudar de assunto) - Hum, é....
Ló: (terminando de contemplar a camiseta, e puxando Chronos para dentro da loja): Parece que você acaba de ganhar uma camiseta.



No fundo da loja, umas quatro mulheres, aparentemente todas vendedoras, olhando com uma cara um pouco surpresa. Lórien e Chronos se dirigem à mais próxima:
Ló: Eu queria ver uma camiseta daquela lá da frente. Para ele.

Vendedora: Aquela é a última
Ló: Então aquela mesmo!

Chro: Que tamanho é?
Vend: é M.
Ló: Mas acho que vai servir.
Chro: Tem provador?
Vend: Tem sim.
Chronos experimenta a camiseta. Serve, apesar de não ser do modelo que ele está acostumado. Os dois vasculham a loja, à procura de mais algum achado.
Nada na loja se parece nem meramente com essa camiseta. Enquanto andam entre as araras, ainda se olham, surpresos e pasmos com o súbito achado, tornado ainda mais fantástico pela sua singularidade, no meio daquela loja tão insípida. Ainda um pouco decepcionada por não encontrar mais nada interessante, Lórien paga (está um pouco caro, mas quem se importa?), e ambos voltam para casa, num clima ainda um pouco onírico.
O que uma camiseta única, que é a última da loja, estaria fazendo na vitrine? Esse é um mistério inexplicável. Mas, por aqui, já aprendemos a confiar, mesmo quando não compreendemos.
Ah, os gatos também aprovaram! Ficaram doidos quando viram a camiseta!



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Livros lidos em 2010

Bom dia!

Embora ninguém tenha me respondido concretamente, anuncio aqui minha tentativa de postar uma vez por semana nesse blog. Vou usar a tag postsemanal2011 para marcar, e, se alguém mais tiver à fim, embarque nessa.

Fiquei pensando sobre o que blogar, e, procurando inspiração, percebi que não postei a lista de livros lidos de 2010, sendo que eu tinha postado a de 2009 e a de 2008. Os posts originais são sempre para o Grupo de Estudos de Literatura Fantástica, onde temos essa tradição.

Depois que eu mudei de casa no meio do ano, no entanto, minha agenda andou sumida por uns meses, e as anotações dos livros lidos desandaram. Então, eu lí mais que isso, mas esses foram os que eu anotei que li. No geral, considerei o ano bastante produtivo para leituras. Li muitas coisas de fantasia e menos coisas sérias, por ter começado outra faculdade, e ter as leituras de lá para fazer. Peguei muitos livros emprestados com amigos e fiz carteirinha na biblioteca Viriato Correia, que tem um espaço temático de literatura fantástica e sedia parte dos encntros do GELF.

Bem, aí vai a lista

1. Lua Nova (série Crepúsculo)
2. O aprendiz de morte (Discworld)
3. O Monge e o executivo (me surpreendeu - é bom!)
4. Bestiário (Cortazar)
5. Os Filhos de Anansi (Neil Gaiman - Excelente!)
6. O Oitavo Mago (Discworld)
7. Sete perguntas para um dragão (outro excelente!)
8. Estranhas irmãs (Discworld)
9 a 13.Percy Jackson e os olimpianos - série completa
14. A bússola de ouro (Fronteiras do Universo)
15. A Faca Sutil (Fronteiras do Universo)
16. Pirâmides (Discworld)
17. Sangue de Lobo

sábado, 4 de dezembro de 2010

Edgar Morin

http://www.edgarmorin.org.br/
Site bonito, e com textos interessantes do Edgar Morrin para ler e baixar.
Bem, eu gosto das proposições dele sobre complexidade...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Livros

Bom dia!

Esses livros foram comprados hoje, na Feira do Livro da USP! Somando tudo, deu cerca de 200,00.

A feira vai até amanhã ainda, então, para quem está na região, compensa dar uma passada :)


Fiquei muito feliz de conseguir completar minha coleção do As Máscaras de Deus. Na verdade, foi com esse objetivo em mente que eu fui lá. Também queria comprar algumas coisas de Aristóteles, para estudar as questões de ética, amizade, etc. Como vocês podem ver, acabei comprando uns livros sobre issi na Odysseus.

Agora, de novidades: Eu não conhecia essa edição da EDUNESP dos hinos homéricos! Ela foi lançada esse ano (2010), parece uma Bíblia :) É biligue, tem 574 páginas, capa dura, os hinos estão separados pelos deuses aos quais se referem, e parece que tem alguns ensaios e textos junto, mas eu ainda não examinei em detalhe. De qualquer modo, ao menos à primeira vista, parece ser uma edição extremamente cuidadosa. R$80,00 no mercado, 40,00 na feira!

Também não sabia que tinha sido publicada, pela editora da unicamp, a tese de doutorado do prof. José Marcos Macedo, que foi meu professor de língua grega na USP, e é muito bom. O livro se chama "A palavra ofertada: Um estudo retórico dos hinos gregos e indianos."

Bastante coisa interessante para ler em 2011!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Aos ancestrais desconhecidos


Escrevo esse post em homenagem ao dia dos ancestrais, mas também como parte da blogagem coletiva Ancestralidade, o fio que nos faz parte de um todo, do Mosaico de reflexões. Para saber mais, clique nos links :)

Quando li a proposta, fiquei pensando em um episódio da minha infância. Estava entre a primeira e a terceira série, mas não me lembro ao certo. A professora disse, na aula de Estudos Sociais, que os brasileiros são formados por três raças: Brancos, negros e índios, e pediu para fazer uma pesquisa perguntando para os pais quais eram os ancestrais de cada raça em sua família.

Quando perguntei para a minha mãe, ela disse que uma das minhas bisavós maternas era índia - e que alguém na família era um senhor de escravos, mas que, fora essa minha bisavó, todos eram brancos - não tinhamos negros na família. Disse isso para a minha professora e ela me respondeu que era impossível que eu não tivesse negros na família, que todos os brasileiros eram formados pelas três raças. A excessão eram um menino da sala cujos pais eram japoneses, outro cujos avós eram japoneses, e mais uma menina, que era filha de estrangeiros, pois eles não eram realmente brasileiros. Disse a resposta para minha mãe, mas ela continuou dizendo não terem negros na família. Deixei estar por muito tempo, mas isso me marcou. Não sei bem se foi por que foi uma das primeiras vezes, ou a prmeira vez, que uma informação de minha mãe se confrontou diretamente com algo ouvido na escola, ou se foi por outro motivo. Mas hoje, concordo mais com minha professora que com minha mãe.

Não tenho como achar e nomear um ancestral negro em minha família. Da parte paterna, minha família é completamente ibérica - e que saudades que tenho das terras de meus ancestrais espanhóis e portugueses, sem nunca tê-las visitado de corpo inteiro. Mas nada impede que um deles tenha vindo para o novo mundo há séculos, e trazido uma negra, que tenha sido uma ancestral distante. Aliás, aqueles espanhóis podem muito bem ser mouriscos, e terem passeado por Al-Andaluz. Essa memória se perdeu no tempo, e hoje só chega até dona Joana, minha bisavó.

Hoje, que sou formada em história, também entendo melhor o que era a Colônia, e como se davam os relacionamentos entre brancos e negros. Minha família materna parece ter vindo, se não da elite branca do Brasil colonial, daqueles homens e mulheres "da terra", desbravadores que viviam da agricultura de subsistência. Acho praticamente impossível que ao longo de sabe-se-lá-quantas gerações não tenha havido mestiçagem com negros. E, mesmo que não seja assim, o que explica meu prazer com a capoeira e o batuque, a afinidade que sinto pelo pouco que conheço do que restou da cultura dos negros que vieram para o Brasil? Mesmo que não seja uma ancestralidade sanguínea direta, mesmo tendo escolhido e sido escolhida por uma cultura muito diferente, por outros deuses, muito herdei dos descendentes da áfrica e, a esses negros desconhecidos, também honro.

Mesmo que eu tivesse um filho com um homem que, sem dúvida alguma, não tivesse nenhuma ancestralidade negra, não daria, se ele perguntasse, a mesma resposta que minha mãe deu. Diria apenas que há muito tempo atrás tivemos ancestrais negros, mas que seus nomes não foram guardados na memória da família. Mas, como meu marido tem descendência negra, vou poder dizer às crianças que o bisavô deles foi negro, descendente dos que um dia vieram na África para o Brasil.





sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Matéria interessantíssima sobre parto

Rating:★★★★★
Category:Other
Ok, escrevi isso para mandar para uma lista, mas não me contive! Estou copiando aqui!

Olá pessoas!

A Ana Maria Braga fez uma matéria hoje de 15 minutos sobre parto
natural (principalmente na água) por causa da declaração da Gisele
Bundchen no Fantástico. A matéria é excelente e está aqui:
http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1205242-7822-MAIS+VOCE+TIRA+AS+DUVIDAS+SOBRE+O+PARTO+NA+AGUA,00.html


Ok, Ló, perguntam muitos. Por que isso é importante?
Pq o índice de cesarianas no Brasil é absurdamente alto, por motivos
políticos envolvendo a classe médica. O que vocês acham que é mais
fácil para um médico? Assustar a mulher que nunca teve um filho antes
dizendo que o bebê é muito grande para passar pela pélvis dela sem ela
ficar toda machucada ou sem riscos para a criança e agendar uma
cesária para dali a uma semana ou ficar à disposição da mulher que
pode entrar em trabalho de parto sexta feira de madrugada, no meio do
carnaval ou em qualquer outro horário numa data incerta? Daí, fazem
cesáreas em todo o mundo! E, como a maior parte das mulheres (ainda
mais na gravidez, onde elas ficam sensíveis) costuma confiar em tudo o
que o médico diz, acabam optando pela cesária com medo de terem
problemas no parto.

Só que a cesária pode ter uma série de consequencias desagradáveis
para a mãe e o bebê, e o tempo que a mãe leva para se recuperar da
cesária é maior que a recuperação do parto normal!

Para se ter uma idéia de como a questão de parto natural é complicada,
aqui em São Paulo há duas casas de parto pelo SUS. Uma está fechada
por que o governo não contratou pessoal para inalgurá-la. Todos os
funcionários da que funciona, a casa de parto de
Sapopemba(http://casadepartodesapopemba.blogspot.com/), foram
PROIBIDOS de falar publicamente sob o trabalho deles, para não gerar
procura (e a casa acabar fechando por falta de divulgação, e portanto,
de parturientes).

Me surpreendeu a Globo ter feito uma matéria como essa em um programa
feminino, pois, como sabemos, muita gente toma como verdade qualquer
coisa que seja dita na Globo. A mulherada vai toda cobrar os
ginecologistas e querer parto normal! Ou seja, pelo menos uma vez, a
Globo fez algo direito e deu bom exemplo!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

De livros, mitos e comparações

Olá Multiply, há tempos não temos um post, não é? Bem, mas já são cinco anos e meio de idas e vindas, então vocês não se livram de mim tão cedo.

Estou há um tempo para tecer um comparativo entre dois livros que li no segundo semestre do ano passado: Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, e Star Dust, de Neil Gaiman. Quem me conhece, sabe que eu sou fã de Joseph Campbell e do jeito que ele mostra as similaridades entre os mitos e histórias, e de como a jornada do herói tem certos passos identificáveis e que estão presentes na maioria, senão todas, as histórias.

O fato é que, quando estava quase terminando de ler Stardust, tive um estalo e percebi o quanto essa história era parecida com a do Trabalhadores do Mar. Provavelmente isso seja bastante óbvio, mas o reconhecimento súbito, e quase no fim do livro, foi bastante divertido.

Passemos à análise. Como eu vou precisar revelar o enredo das duas histórias, se você se importar com os spoilers, é melhor parar por aqui.

O cerne das histórias é: O protagonista é um jovem que se apaixona por uma moça de algum modo superior a ele. Ele deseja se casar com ela, mas, para isso, terá de realizar uma tarefa impossível. Em Os Trabalhadores do Mar, Giliatt precisa recuperar a máquina do navio à vapor do pai de Deruchette, o que era considerado impossível dadas as condições do naufrágio, Thristan, de Stardust, precisa trazer para a amada a estrela cadente que caiu no Outro Mundo.

Se pensarmos que, para a imaginação simbólica, o mar é a ponte para o Outro Mundo, (veja por exemplo o Mensagem do Fernando Pessoa) temos a mesma simbologia. Giliatt, simbolicamente, também tinha que ir para o outro mundo, e as duas tarefas eram impossíveis. Portanto, a jornada de Giliatt e a de Thristan começam do mesmo modo que a do Beren, de Tolkien:  Um pedido impossível, que ninguém espera que seja cumprido, promete a mão da jovem desejada.

O pedido é aceito sem relutância. Gilliat sai para o mar à noite, meio escondido, depois de alugar um barco. Thristan, com a ajuda do pai, consegue passagem para o Outro  Mundo. Se Thristan está entre os habitantes do outro mundo, as bruxas e os seres do Belo Povo, Thristan tem a compania das aves marinhas, que, com o tempo passam quase a considerá-lo alguém da família, dos rochedos, e do onipresente Mar. Aliados e inimigos são encontrados, e o herói, mesmo inconsciente, desvela os outros personagens envolvidos com o objeto de impossível recuperação. Para Thristan, os lordes da Fortaleza da Tempestade, para Giliatt, os motivos do naufrágio. E, finalmente, o objetivo é conquistado.

Aqui, mais uma semelhança: O cumprimento da missão traz uma herança e uma ascensão pessoal: Assim como Giliatt vai ser nomeado capitão do navio reconstruído através da máquina resgatada, Thristan se descobre herdeiro da Fortaleza da Tempestade. A diferença óbvia é que um é recompensado no mundo de que veio, outro no mundo para o qual foi. Essa diferença faz com que, genericamente, o final de Stardust possa ser percebido como feliz, e o de Os Trabalhadores do Mar não.

Retornando à cidade, os dois protagonistas, que, amantiveram seus propósitos até então inabaláveis, descobrem que suas amadas estão prestes a se casar com outro homem, o que os faz perceber que eles não mais pertencem ao mundo no qual viviam. Ambos tomam a mesma decisão: Abdicam da mão de suas amadas, e dizem a elas que consentem que casem com o outro homem. Desse modo, voltam para o outro mundo.

Comparando assim, e resumindo as histórias desse modo, elas parecem simples e banais. Mas ambas as tramas são muito bem tecidas, e os personagens, bem definidos e cativantes. Os autores tem estilos muito diferentes (basta ver a diferença no número de páginas), são de épocas e lugares diferentes, e, apesar dessas semelhanças, as histórias são únicas ao seu modo.

Mais sobre "Os Trabalhadores do Mar", aqui

sábado, 2 de janeiro de 2010

Livros lidos em 2009

Copiando, como no ano passado, o meu e-mail para o GELF com minha lista de livros lidos durante o ano. Li bem mais mesmo em 2009! Mas li menos teoria...

Em 2009 eu tirei um pouco do atraso que a carga de leituras para a faculdade causou nos últimos anos. Também lí muito mais livros emprestados do que os que eu tenho em casa, o que foi bastante curioso. Deliberadamente, eu li um monte de coisas arturianas, algumas delas ao mesmo tempo. Também poderão notar que eu começei a ler Prachett e estou lendo aos poucos, em ordem de saída dos livros. Como os demais, devo ter esquecido de anotar alguma coisa, Minha lista ficou assim:

1.O Vampiro rei parte 1 (Vianco)
2.O Vampiro rei parte 2
3. O Inimigo de Deus (trilogia Arturiana do Cornwell, parte 2)
4. Negrinha (antologia de contos do Lobato)
5. O Livro dos milagres (auto ajuda - minha mãe insistiu que eu lesse :p)
6. Odisseu, uma vida (Editora Odysseus, o autor me foge agora)
7, A cor da magia
8. As Brumas de Avalon v.1
9. Excalibur (fim da trilogia arturiana do Cornwell)
10. O Último Portal - Rosana Rios
11. As brumas de Avalon v.2
12. O último bom lugar (um conto longo - ou um livro curto? do Hemingway)
13. A Morte de Arthur
14. As Brumas de Avalon v.3
15. As Brumas de Avalon v.4
16. O Noivo da Princesa
17. A Luz Fantástica
18. Teofania - Walter Otto
19. Os Trabalhadores do Mar (Vitor Hugo - ver resenha na seção específica)
20. Crepúsculo
21. As Núpcias de Cadmo e Harmonia
22. Direitos Iguais, Rituais iguais
23. Paz, Afinal (é um romance psicografado do John Lennon. Tinha ganho no natal passado, então achei legal terminar antes desse natal)
24. Stardust

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Os Trabalhadores do Mar

Rating:★★★
Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Vitor Hugo
"O homem pode embriagar-se com a própria alma.Essa embriaguez chama-se heroísmo"


Resolvi escrever alguma coisa sobre essa leitura. Apesar de eu ter curtido ler, principalmente em alguns pontos específicos, foi uma leitura bem arrastada. Adiada por anos, com o livro já na estante, e, quando começada, interrompida várias vezes.

O início do livro é muito interessante. Hugo usa vários capítulos e páginas descrevendo um mosaico de personagens, e,a princípio, é meio difícil de imaginar onde a história vai desembocar. Mais para o meio, o livro parece infinito, interminável. A impressão que se tem, pelo menos na versão que eu li, edição de bolso com letras miúdas e margem pequena, é que por mais que se leia, o marcador de livro não se move, a leitura permanece no mesmo lugar. E, talvez, o livro acabe, nesse ponto, irritando as pessoas que não gostam de descrições longas e minuciosas.
De minha parte, li marcando trechos e pensando em leituras prévias. Lembrei-me muito do Gaston Bachelard, no "A Água e os sonhos", sobre a imaginação da matéria. Separei coisas maravilhosas, talvez faça um ensaio depois. E um relato dos perigos do mar, sempre lembra os outros: Foi impossível não lembrar do Crusoé de Defoe, do Ulisses de Homero. Sem dúvida, a figura de Gilliat espelha essas e outras, pois a boa literatura, é, mesmo, a intertextual.
Mais para o fim, o livro é agoniante: Quando você pensa que está tudo bem e tudo vai dar certo, aparece outro imprevisto, e outro, e outro, e outro. O final, não é o de um conto de fadas, mas não deixa de ter sua beleza. E, como diz o Willian Goldman, no "O noivo da princesa", é um daqueles livros para ler sabendo que a vida não é justa.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A dictionary of Cats

Uma imagenzinha especial para os amigos que, como eu, amam miaus!

PS: Isso é um gráfico de ponto cruz.. que eu, infelizmente, não tenho. Deve ser super difícil de bordar, de qualquer forma....

domingo, 15 de março de 2009

Como meu semestre se delineou

ou "os deuses vendem quando dão", como diria o velho Pessoa.
Não sei o que me deu prá me inscrever em Língua Grega. Acho que não pensei muito ao me matricular para esse semestre, fui clicando em tudo o que podia ter algum interesse e fosse de noite. Na verdade, sem o peso de ter que me matricular em alguma coisa para terminar o curso, quase esqueci de fazer a matrícula.
E, dentre as matérias para as quais eu fui selecionada, estavam a dita, uma outra na Letras, chamada "Diálogo Platônico", uma na Biblioteconomia, e uma na História. A da Biblioteconomia e a da história conflitavam em horário com as aulas de Língua Grega. E foi o que os descrentes chamariam de "acaso" que me fez ir estudar grego ao invés de fazer essa na biblioteconomia, e estava até mais interessada nessa, pois estava pensando em prestar para biblioteconomia no final desse ano.
Eis que, esse ano, pelo calendário oficial da USP, as aulas começavam uma semana antes do Carnaval. Eu sei, no entanto, que, quando é assim, muitos professores adiam o início das aulas para depois do feriado. Liguei para as duas faculdades e perguntei o que os respectivos professores iam fazer: O de Língua Grega começaria na semana anterior ao carnaval, o de biblioteconomia na posterior. Então decidi ir na aula de língua grega, testar na primeira semana, e, se não gostasse, iria para a biblioteconomia.
Acabei ficando. Mas as aulas - que são duas vezes por semana - exigem muito estudo em casa, e são bem mais puxadas do que eu pensava. Então, logo vi que, para estudar grego, precisaria abdicar de algumas coisas.
Conversei com os deuses, e perguntei se eles realmente queriam aquilo de mim. Disse o que estava pensando. E eles mandaram sinais de que eu deveria permanecer nas aulas de Língua grega. Então, passávamos à parte de abdicar.
Entre outras coisas, depois de muito pensar, resolvi que o grupo de estudos que estou conduzindo teria que se reunir mensalmente - e não quinzenalmente - durante esse semestre. E, quando eu finalmente tinha me decidido sobre isso, praticamente caíram no meu colo dois textos, que são interessantes e combinam com a temática do grupo, que eu poderia utilizar para fazer pelo menos duas sessões sem precisar de tanto esforço para preparar material. E o material que eu havia preparado para o encontro do fim de semana passado não foi completamente explorado, de modo que vamos dividir aquela temática em dois encontros. Do que lê-se: Lórien, não diminua os encontros do grupo de estudos. E eu, já acostumada a esse tipo de coisa dou risada, e mudo de idéia. Agora basta encaixar as duas sessões prontas no conograma que eu tinha elaborado.
Aí, surge um imprevisto: Exercícios de grego para entregar. Mal entregamos o primeiro, temos de entregar o segundo na aula seguinte. E, pelo correr da matéria, o terceiro vem na próxima semana. Lórien se preocupa um bocado, mas, quando vai fazer o segundo exercício, algo aconteceu, e, o que era difícil, começa a se tornar fácil. Eu quase não acreditei quando pude traduzir algumas frases sem olhar nas anotações, ver que já identifico terminações e diversos tipos de pronomes. Parece que começo a pegar o jeito... Tudo se organiza, sem que eu precise tomar nenhuma atitude radical. Definitivamente, esse negócio de ser, por um mês, o Homem Pendurado é divertido
Assim meu semestre se delineia: Muito estudo de grego, bordados, grupos de estudos, celebrações, trabalho... Estou feliz, me divertindo, e, na medida do possível para alguém com uma vida como a minha, sinto estabilidade... Uma frágil, e doce estabilidade...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Lua Crescente de Rainha de Espadas

Essa Lua Crescente foi bastante produtiva! Apesar do cansaço, é claro...

A carta foi, especialmente, um estimulante para meu lado intelectual. Consegui fazer tudo o que precisava com eficiência, embora estivesse com muito medo de as coisas não darem certo, ou eu não conseguir fazer tudo. O fato de eu escrever no blog nesse momento e ter passado por aqui essa manhã só ocorreu por que precisei de bem menos tempo para fazer a tarefa para a aula de grego de amanhã do que eu imaginava.
Além de estar me sentindo um pouco menos assustada com o grego (embora eu tenha plena consciência de que vou ter dificuldade de acompanhar o rítmo do curso), ainda fui relativamente bem no concurso que prestei no domingo: Eu consegui fazer praticamente todas as questões, inclusive as de matemática, tendo estudado apenas umas horas, uns 20 dias atrás... Só que, é claro, tive o mesmo problema de sempre com a danada da álgebra que insiste em não me amar: Errei nas contas, depois de ter me matado prá encontrar o raciocínio que resolve o problema, e isso ocorreu em umas três questões!
Também li bastante por esses dias: Terminei O Inimigo de Deus, e, em uma semana, lí Negrinha, do Lobato, que, como a Nilda tinha dito, é excelente! Também estou com idéias novas para o grupo de estudos, mas esse é um capítulo à parte, sobre o qual escreverei em breve.

Sofá da Álex: Reivindicados pelos Deuses

http://sofalex.blogspot.com/2009/03/reivindicados-pelos-deuses.html
Assim como o episódio podcast da Pietra que está em algum dos links mais abaixo, esse é um texto com o qual eu concordo e que mostra, nas palavras de outrem, um pouquinho da minha visão sobre a religião que eu sigo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Livros que eu li ano passado

Fiz essa lista para o Grupo de Estudos de Literatura Fantástica e resolvi copiar aqui. Não estou contando as dezenas de leituras de capítulos de livros que faço todo o ano, nem os três ou quatro livros que eu comecei e não terminei (esses eu conto como desse ano, se eu terminar).
Eu também posso ter esquecido de anotar algum livro, pois, ano passado, não fui muito rígida com minhas anotações. Esse ano pretendo fazer uma lista mais metódica, e, se der, ler bem mais que isso. Se bem que, provavelmente, embora eu tenha terminado a faculdade, as leituras para o grupo de estudos vão consumir bastante do meu tempo :)
Aqui vou colocar alguns comentários que não pus no GELF

1) Os Livros da Magia: O Convite (Carla Jablonski)
2) Os Livros da Magia: Encantos
Fiquei morrendo de vontade de ler os outros livros. Eis uma coisa que tenho que pesquisar e comprar assim que possível
3) Sonhos de Uma Noite de Verão (Shakespeare) - Reli pois tinha lido muito novinha, e era citado nos livros que menciono acima. Depois, topei com outra obra do Gaiman sobre o Sonhos, que está quase no fim dessa lista.
4) Princípios do Druidismo (Emma Restall Orr)
5) O poder dos Números - Todas as combinações numéricas que podem mudar sua vida (Glynis McCantis) - tem uma resenha dele na parte de resenhas desse blog
6) O Livro de Ouro da Mitologia (Bullfinch) - que, como eu venho dizendo, não é tão execrável ocmo muitas pessoas dizem. É só considerar o tempo em que o Bullfinch viveu.
7) Ritual - Emma Restall Orr
8) Macaco - Uma Jornada para o Oeste (recontado por David Kheridan)
9) A flauta mágica (adaptação de Rosana Rios) - li para os meus alunos no breve período que trabalhei na Prefeitura
10) Os Sete contra Tebas (Ésquilo)
11) Os deuses da Grécia (Walter F. Otto) --> Mega recomendado!
12) Matacão - Uma lenda Tropical (Karen Tei Yamashita) --> Estou devendo uma resenha desse
13) Para não ler ingenuamente uma tragédia grega (Raquel Gazola)
14)Groo, o Errante (não lembro mais o nome da revista que eu li)
15) O I-ching e você (releitura) - Diana Ffarington Hook
16) Sandman (era uma coletânea com várias histórias, entre elas, sonhos de uma noite de verão, um sonho de mil gatos, e uma muito legal com a Morte que eu não consigo lembrar o nome de jeito nenhum)
17) O Rei do Inverno (Bernard Cormwell) - Fiquei apaixonada pelo estilo de narrativa desse livro! Já encomendei o volume 2, está com meu irmão em Osasco, e mal posso esperar para ler.

E vocês, o que leram? Seria interessante ver esse exercício em outros blogs!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Algumas coisas que descobri em 2008

Eu já venho refletindo sobre o meu ano há algum tempo, e já postei algumas coisas aqui antes. Então, vou colocar aqui apenas algumas descobertas importantes, alguns apredizados que me surpreenderam no ano que passou.

-A maior surpresa prá mim foi descobrir que não quero mais trabalhar com educação. Não, pelo menos, do jeito que em geral concebemos a coisa. Quero ensinar coisas que gosto a pessoas interessadas, e não coisas inúteis a crianças cheias de vida que tem de ficar trancadas em salas de aula porque os pais estão pagando, ou que precisam de muito mais do que toda a minha energia é capaz de envelhecer. Descobri que trabalhando nessas condições, eu adoeço. Eu podia ter descoberto isso ano passado, mas eu achava que, sob outras circunstâncias, as coisas seriam melhores.

-Vinculado a isso, morreu o grande sonho que foi projetado prá mim desde pequena: Não vou ser professora de escola pública pelo resto da vida prá ter um trabalho que me dê dinheiro certo. Eu preciso de mais um ou dois anos só para cogitar a idéia de prestar concurso público outra vez. Não é só pagar a taxa, estudar, passar, e você está lá. É um processo mais longo e cheio de ansiedade que isso.

-Descobri que já tenho créditos suficientes para me formar, e já me considero formada. No entanto, isso me deixa mais perdida que cego em tiroteio, pois já vi que vou usar meu diploma para uma coisa completamente diferente do que eu pensava em fazer, e, ao mesmo tempo. nunca estive sem estudar, desde os quatro anos de idade, e não estou conseguindo me adaptar a esse processo. Já fiquei um semestre a mais que o necessário na faculdade, e provavelmente fico pelo menos mais um.

-Descobri que, apesar de, à primeira vista, ver o mundo como o fluxo das energias Yin e Yang parecer bobinho, a coisa é menos simplista e mais complexa, profunda, real, e divertida do que parece. E que exige muito, muito mais estudo que aparenta.

-Aliás, descobri que tenho prazer em conhecer religiões diferentes da minha.

--Falando na minha religião, descobri que não sou mais uma novata, embora pareça que foi ontem que começei a trilhar meu caminho. Também não sou nenhuma mestra, mas já aprendi um monte de coisas que posso compartilhar, já que conhecimento pede movimentação.

-Descobri que as formas que os oráculos anunciam coisas a nós pode ser absurdamente variadas: Podemos ter respostas engraçadas de tão literais, como podemos ter respostas realmente enigmáticas, e aquelas que estão o tempo todo debaixo de nosso nariz, mas não entendemos. Nesse sentido, algumas de minhas atitudes perante as respostas desse ano foram enganos quase do tipo do de Édipo, enquanto outras vão me deixar por anos ainda dizendo "eu disse que era isso? Eu aviseeei, eu aviseeeeei", e vou me permitir ser tão chata quanto o burro do Shrek, pq complexo de Cassandra é muito chato.

-Continuo acreditando em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, sacis com frio no pé e formigas que bebem AdeS, no entanto não acredito mais em amizade à primeira vista. Os vínculos que vêm muito intensos desde o começo, acabam tão rapidamente como começam. E as outras pessoas podem nem sentir, mas eu acabo me entregando, e me lascando, e acabo deprimida por meses depois que a meleca acaba. Caí nessa ilusão duas vezes, e pretendo não cair na terceira. Em compensação, vou dar mais atenção às pessoas que chegam como quem não quer nada, que são moderadas e com as quais parece que você nunca vai ter grandes intimidades, pois são essas que sabem ser amigas prá vida inteira. Se até com o Chronos meu relacionamento começou assim, pq diabos eu tento fazer o contrário? Eu entendo que com outras pessoas isso funcione super bem, mas, da minha parte, estou fugindo de relacionamentos como esses.