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quarta-feira, 7 de março de 2012

Sobre viagens

“Dois dias de viagem apartam um homem – e especialmente um jovem que não criou raízes firmes na vida – do seu mundo cotidiano, de tudo quanto ele costuma chamar seus deveres; interesses, cuidados e projetos; apartam-no muito mais do que esse jovem imaginava (...). O espaço que, girando constantemente, se interpõe entre ele e o seu local de origem, revela forças que geralmente se julgam privilégio do tempo; produz de hora em hora novas metamorfoses íntimas, muito parecidas com aquelas que o tempo origina, mas em certo sentido mais intensas ainda.”

Thomas Mann - A Montanha Mágica

terça-feira, 5 de julho de 2011

Leaving on a Jet Plane

Essa semana cantei, alto e catárticamente, no meio da rua. Não faz nem uma semana, e parece uma eternidade. Que bom!
A idéia era escrever um texto estruturado, mas, onde era mesmo que eu tinha lido sobre o "nostos", o retorno do herói, que deu origem à nossa palavra "nostalgia", a dor pela saudade do que não pode voltar? Fazem tantos anos! Mas esse é um tema que está comigo. Sempre. E volto a ele. Falei um pouco dele no meu último post, pensei que houvesse escrito, no passado, mais sobre isso aqui, mas não acho. Nostalgia, prá mim, vem de antes que eu nascesse.
Não estruturo o texto. Choro, Chro me vê chorando, explico tudo em poucas palavras. Ele pede mais, e eu digo. Ele se atrasa um pouco. Canta junto. Mas logo vai trabalhar.
Nostalgia é uma coisa que trabalho em mim mesma, com poemas e canções específicas. Quando conheço uma nova, decoro. E vou lembrando ao longo da vida. Essa já está comigo há 13 anos e meio. E ainda me emociono. Hoje choro pelo que chorava quando mal entendi a letra, e por tudo o que senti antes e refleti com a música. Me dou conta que criei mais um significado para ela. And I still hate to go...



All my bags are packed I'm ready to go
I'm standin' here outside your door
I hate to wake you up to say goodbye
But the dawn is breakin' it's early morn
The taxi's waitin' he's blowin' his horn
Already I'm so lonesome I could die

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

There's so many times I've let you down
So many times I've played around
I tell you now, they don't mean a thing
Every place I go, I'll think of you
Every song I sing, I'll sing for you
When I come back, I'll bring your wedding ring

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

Now the time has come to leave you
One more time let me kiss you
Then close your eyes I'll be on my way
Dream about the days to come
When I won't have to leave alone
About the times, I won't have to say

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh baby, I hate to go

Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Comprando uma camiseta


Chronos e Lórien estão voltando para casa depois da chuva, quando Lórien vê algo que lhe chama a atenção, e puxa Chronos de volta para a frente da vitrine de uma loja de roupas aparentemente sem graça.
Ló: Olha Chronos, essa camiseta tem os nomes dos ventos!
Chro: (fazendo cara de heinh, e demorando alguns segundos para mudar de assunto) - Hum, é....
Ló: (terminando de contemplar a camiseta, e puxando Chronos para dentro da loja): Parece que você acaba de ganhar uma camiseta.



No fundo da loja, umas quatro mulheres, aparentemente todas vendedoras, olhando com uma cara um pouco surpresa. Lórien e Chronos se dirigem à mais próxima:
Ló: Eu queria ver uma camiseta daquela lá da frente. Para ele.

Vendedora: Aquela é a última
Ló: Então aquela mesmo!

Chro: Que tamanho é?
Vend: é M.
Ló: Mas acho que vai servir.
Chro: Tem provador?
Vend: Tem sim.
Chronos experimenta a camiseta. Serve, apesar de não ser do modelo que ele está acostumado. Os dois vasculham a loja, à procura de mais algum achado.
Nada na loja se parece nem meramente com essa camiseta. Enquanto andam entre as araras, ainda se olham, surpresos e pasmos com o súbito achado, tornado ainda mais fantástico pela sua singularidade, no meio daquela loja tão insípida. Ainda um pouco decepcionada por não encontrar mais nada interessante, Lórien paga (está um pouco caro, mas quem se importa?), e ambos voltam para casa, num clima ainda um pouco onírico.
O que uma camiseta única, que é a última da loja, estaria fazendo na vitrine? Esse é um mistério inexplicável. Mas, por aqui, já aprendemos a confiar, mesmo quando não compreendemos.
Ah, os gatos também aprovaram! Ficaram doidos quando viram a camiseta!