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terça-feira, 5 de julho de 2011

Leaving on a Jet Plane

Essa semana cantei, alto e catárticamente, no meio da rua. Não faz nem uma semana, e parece uma eternidade. Que bom!
A idéia era escrever um texto estruturado, mas, onde era mesmo que eu tinha lido sobre o "nostos", o retorno do herói, que deu origem à nossa palavra "nostalgia", a dor pela saudade do que não pode voltar? Fazem tantos anos! Mas esse é um tema que está comigo. Sempre. E volto a ele. Falei um pouco dele no meu último post, pensei que houvesse escrito, no passado, mais sobre isso aqui, mas não acho. Nostalgia, prá mim, vem de antes que eu nascesse.
Não estruturo o texto. Choro, Chro me vê chorando, explico tudo em poucas palavras. Ele pede mais, e eu digo. Ele se atrasa um pouco. Canta junto. Mas logo vai trabalhar.
Nostalgia é uma coisa que trabalho em mim mesma, com poemas e canções específicas. Quando conheço uma nova, decoro. E vou lembrando ao longo da vida. Essa já está comigo há 13 anos e meio. E ainda me emociono. Hoje choro pelo que chorava quando mal entendi a letra, e por tudo o que senti antes e refleti com a música. Me dou conta que criei mais um significado para ela. And I still hate to go...



All my bags are packed I'm ready to go
I'm standin' here outside your door
I hate to wake you up to say goodbye
But the dawn is breakin' it's early morn
The taxi's waitin' he's blowin' his horn
Already I'm so lonesome I could die

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

There's so many times I've let you down
So many times I've played around
I tell you now, they don't mean a thing
Every place I go, I'll think of you
Every song I sing, I'll sing for you
When I come back, I'll bring your wedding ring

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

Now the time has come to leave you
One more time let me kiss you
Then close your eyes I'll be on my way
Dream about the days to come
When I won't have to leave alone
About the times, I won't have to say

So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh baby, I hate to go

Cause I'm leavin' on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh babe, I hate to go

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pacto Oculto

4:55, Barra Funda. Depois de um dia de muito sol, chuva-e-sol, com trovões. Entre os transeuntes, um pacto silencioso: Todos andavam sem frescura ou medo, sem guarda-chuva, aproveitando as bênçãos do Céu.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Comprando uma camiseta


Chronos e Lórien estão voltando para casa depois da chuva, quando Lórien vê algo que lhe chama a atenção, e puxa Chronos de volta para a frente da vitrine de uma loja de roupas aparentemente sem graça.
Ló: Olha Chronos, essa camiseta tem os nomes dos ventos!
Chro: (fazendo cara de heinh, e demorando alguns segundos para mudar de assunto) - Hum, é....
Ló: (terminando de contemplar a camiseta, e puxando Chronos para dentro da loja): Parece que você acaba de ganhar uma camiseta.



No fundo da loja, umas quatro mulheres, aparentemente todas vendedoras, olhando com uma cara um pouco surpresa. Lórien e Chronos se dirigem à mais próxima:
Ló: Eu queria ver uma camiseta daquela lá da frente. Para ele.

Vendedora: Aquela é a última
Ló: Então aquela mesmo!

Chro: Que tamanho é?
Vend: é M.
Ló: Mas acho que vai servir.
Chro: Tem provador?
Vend: Tem sim.
Chronos experimenta a camiseta. Serve, apesar de não ser do modelo que ele está acostumado. Os dois vasculham a loja, à procura de mais algum achado.
Nada na loja se parece nem meramente com essa camiseta. Enquanto andam entre as araras, ainda se olham, surpresos e pasmos com o súbito achado, tornado ainda mais fantástico pela sua singularidade, no meio daquela loja tão insípida. Ainda um pouco decepcionada por não encontrar mais nada interessante, Lórien paga (está um pouco caro, mas quem se importa?), e ambos voltam para casa, num clima ainda um pouco onírico.
O que uma camiseta única, que é a última da loja, estaria fazendo na vitrine? Esse é um mistério inexplicável. Mas, por aqui, já aprendemos a confiar, mesmo quando não compreendemos.
Ah, os gatos também aprovaram! Ficaram doidos quando viram a camiseta!



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Livros lidos em 2010

Bom dia!

Embora ninguém tenha me respondido concretamente, anuncio aqui minha tentativa de postar uma vez por semana nesse blog. Vou usar a tag postsemanal2011 para marcar, e, se alguém mais tiver à fim, embarque nessa.

Fiquei pensando sobre o que blogar, e, procurando inspiração, percebi que não postei a lista de livros lidos de 2010, sendo que eu tinha postado a de 2009 e a de 2008. Os posts originais são sempre para o Grupo de Estudos de Literatura Fantástica, onde temos essa tradição.

Depois que eu mudei de casa no meio do ano, no entanto, minha agenda andou sumida por uns meses, e as anotações dos livros lidos desandaram. Então, eu lí mais que isso, mas esses foram os que eu anotei que li. No geral, considerei o ano bastante produtivo para leituras. Li muitas coisas de fantasia e menos coisas sérias, por ter começado outra faculdade, e ter as leituras de lá para fazer. Peguei muitos livros emprestados com amigos e fiz carteirinha na biblioteca Viriato Correia, que tem um espaço temático de literatura fantástica e sedia parte dos encntros do GELF.

Bem, aí vai a lista

1. Lua Nova (série Crepúsculo)
2. O aprendiz de morte (Discworld)
3. O Monge e o executivo (me surpreendeu - é bom!)
4. Bestiário (Cortazar)
5. Os Filhos de Anansi (Neil Gaiman - Excelente!)
6. O Oitavo Mago (Discworld)
7. Sete perguntas para um dragão (outro excelente!)
8. Estranhas irmãs (Discworld)
9 a 13.Percy Jackson e os olimpianos - série completa
14. A bússola de ouro (Fronteiras do Universo)
15. A Faca Sutil (Fronteiras do Universo)
16. Pirâmides (Discworld)
17. Sangue de Lobo

sábado, 4 de dezembro de 2010

Edgar Morin

http://www.edgarmorin.org.br/
Site bonito, e com textos interessantes do Edgar Morrin para ler e baixar.
Bem, eu gosto das proposições dele sobre complexidade...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Livros

Bom dia!

Esses livros foram comprados hoje, na Feira do Livro da USP! Somando tudo, deu cerca de 200,00.

A feira vai até amanhã ainda, então, para quem está na região, compensa dar uma passada :)


Fiquei muito feliz de conseguir completar minha coleção do As Máscaras de Deus. Na verdade, foi com esse objetivo em mente que eu fui lá. Também queria comprar algumas coisas de Aristóteles, para estudar as questões de ética, amizade, etc. Como vocês podem ver, acabei comprando uns livros sobre issi na Odysseus.

Agora, de novidades: Eu não conhecia essa edição da EDUNESP dos hinos homéricos! Ela foi lançada esse ano (2010), parece uma Bíblia :) É biligue, tem 574 páginas, capa dura, os hinos estão separados pelos deuses aos quais se referem, e parece que tem alguns ensaios e textos junto, mas eu ainda não examinei em detalhe. De qualquer modo, ao menos à primeira vista, parece ser uma edição extremamente cuidadosa. R$80,00 no mercado, 40,00 na feira!

Também não sabia que tinha sido publicada, pela editora da unicamp, a tese de doutorado do prof. José Marcos Macedo, que foi meu professor de língua grega na USP, e é muito bom. O livro se chama "A palavra ofertada: Um estudo retórico dos hinos gregos e indianos."

Bastante coisa interessante para ler em 2011!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Aos ancestrais desconhecidos


Escrevo esse post em homenagem ao dia dos ancestrais, mas também como parte da blogagem coletiva Ancestralidade, o fio que nos faz parte de um todo, do Mosaico de reflexões. Para saber mais, clique nos links :)

Quando li a proposta, fiquei pensando em um episódio da minha infância. Estava entre a primeira e a terceira série, mas não me lembro ao certo. A professora disse, na aula de Estudos Sociais, que os brasileiros são formados por três raças: Brancos, negros e índios, e pediu para fazer uma pesquisa perguntando para os pais quais eram os ancestrais de cada raça em sua família.

Quando perguntei para a minha mãe, ela disse que uma das minhas bisavós maternas era índia - e que alguém na família era um senhor de escravos, mas que, fora essa minha bisavó, todos eram brancos - não tinhamos negros na família. Disse isso para a minha professora e ela me respondeu que era impossível que eu não tivesse negros na família, que todos os brasileiros eram formados pelas três raças. A excessão eram um menino da sala cujos pais eram japoneses, outro cujos avós eram japoneses, e mais uma menina, que era filha de estrangeiros, pois eles não eram realmente brasileiros. Disse a resposta para minha mãe, mas ela continuou dizendo não terem negros na família. Deixei estar por muito tempo, mas isso me marcou. Não sei bem se foi por que foi uma das primeiras vezes, ou a prmeira vez, que uma informação de minha mãe se confrontou diretamente com algo ouvido na escola, ou se foi por outro motivo. Mas hoje, concordo mais com minha professora que com minha mãe.

Não tenho como achar e nomear um ancestral negro em minha família. Da parte paterna, minha família é completamente ibérica - e que saudades que tenho das terras de meus ancestrais espanhóis e portugueses, sem nunca tê-las visitado de corpo inteiro. Mas nada impede que um deles tenha vindo para o novo mundo há séculos, e trazido uma negra, que tenha sido uma ancestral distante. Aliás, aqueles espanhóis podem muito bem ser mouriscos, e terem passeado por Al-Andaluz. Essa memória se perdeu no tempo, e hoje só chega até dona Joana, minha bisavó.

Hoje, que sou formada em história, também entendo melhor o que era a Colônia, e como se davam os relacionamentos entre brancos e negros. Minha família materna parece ter vindo, se não da elite branca do Brasil colonial, daqueles homens e mulheres "da terra", desbravadores que viviam da agricultura de subsistência. Acho praticamente impossível que ao longo de sabe-se-lá-quantas gerações não tenha havido mestiçagem com negros. E, mesmo que não seja assim, o que explica meu prazer com a capoeira e o batuque, a afinidade que sinto pelo pouco que conheço do que restou da cultura dos negros que vieram para o Brasil? Mesmo que não seja uma ancestralidade sanguínea direta, mesmo tendo escolhido e sido escolhida por uma cultura muito diferente, por outros deuses, muito herdei dos descendentes da áfrica e, a esses negros desconhecidos, também honro.

Mesmo que eu tivesse um filho com um homem que, sem dúvida alguma, não tivesse nenhuma ancestralidade negra, não daria, se ele perguntasse, a mesma resposta que minha mãe deu. Diria apenas que há muito tempo atrás tivemos ancestrais negros, mas que seus nomes não foram guardados na memória da família. Mas, como meu marido tem descendência negra, vou poder dizer às crianças que o bisavô deles foi negro, descendente dos que um dia vieram na África para o Brasil.