"Não é somente Hefesto que censura os deuses por tornarem-se discordes e deixarem-se perturbar em seus deleites por causa dos mortais. É o próprio Apolo que considera incompatível com sua dignidade lutar com seus semelhantes por amor aos homens. (...) Por mais solícito que possa ter-se mostrado um olímpio para com os homens e suas necessidades,sempre este filho do eterno retorna à glória do esplendor celestial. Lá nas alturas etéreas não há dores nem aflições, nem velhice, nem morte. No gozo de incorruptível juventude, beleza e majestade, eles andam pelo espaço brilhante de sua eternidade. Alí se encontram com seus iguais, irmãos e irmãs, amigos e amantes; um deus se deleita com outro, pois em todos, em cada um deles, está o esplendor da perfeição. É verdade que a predileção por certos homens e certos povos produz, às vezes, cenas violentas, mas a discórdia não dura muito, e nunca termina o dia sem que eles se reúnam festivamente para o comum desfrute de sua vida divina. Sabem muito bem que pertencem à mesma nobreza, a uma raça única cujos traços majestosos estão escritos no rosto de cada um"
FONTE: Walter F. Otto. Os deuses da Grécia. Odysseus, 2005.