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domingo, 15 de março de 2009

Como meu semestre se delineou

ou "os deuses vendem quando dão", como diria o velho Pessoa.
Não sei o que me deu prá me inscrever em Língua Grega. Acho que não pensei muito ao me matricular para esse semestre, fui clicando em tudo o que podia ter algum interesse e fosse de noite. Na verdade, sem o peso de ter que me matricular em alguma coisa para terminar o curso, quase esqueci de fazer a matrícula.
E, dentre as matérias para as quais eu fui selecionada, estavam a dita, uma outra na Letras, chamada "Diálogo Platônico", uma na Biblioteconomia, e uma na História. A da Biblioteconomia e a da história conflitavam em horário com as aulas de Língua Grega. E foi o que os descrentes chamariam de "acaso" que me fez ir estudar grego ao invés de fazer essa na biblioteconomia, e estava até mais interessada nessa, pois estava pensando em prestar para biblioteconomia no final desse ano.
Eis que, esse ano, pelo calendário oficial da USP, as aulas começavam uma semana antes do Carnaval. Eu sei, no entanto, que, quando é assim, muitos professores adiam o início das aulas para depois do feriado. Liguei para as duas faculdades e perguntei o que os respectivos professores iam fazer: O de Língua Grega começaria na semana anterior ao carnaval, o de biblioteconomia na posterior. Então decidi ir na aula de língua grega, testar na primeira semana, e, se não gostasse, iria para a biblioteconomia.
Acabei ficando. Mas as aulas - que são duas vezes por semana - exigem muito estudo em casa, e são bem mais puxadas do que eu pensava. Então, logo vi que, para estudar grego, precisaria abdicar de algumas coisas.
Conversei com os deuses, e perguntei se eles realmente queriam aquilo de mim. Disse o que estava pensando. E eles mandaram sinais de que eu deveria permanecer nas aulas de Língua grega. Então, passávamos à parte de abdicar.
Entre outras coisas, depois de muito pensar, resolvi que o grupo de estudos que estou conduzindo teria que se reunir mensalmente - e não quinzenalmente - durante esse semestre. E, quando eu finalmente tinha me decidido sobre isso, praticamente caíram no meu colo dois textos, que são interessantes e combinam com a temática do grupo, que eu poderia utilizar para fazer pelo menos duas sessões sem precisar de tanto esforço para preparar material. E o material que eu havia preparado para o encontro do fim de semana passado não foi completamente explorado, de modo que vamos dividir aquela temática em dois encontros. Do que lê-se: Lórien, não diminua os encontros do grupo de estudos. E eu, já acostumada a esse tipo de coisa dou risada, e mudo de idéia. Agora basta encaixar as duas sessões prontas no conograma que eu tinha elaborado.
Aí, surge um imprevisto: Exercícios de grego para entregar. Mal entregamos o primeiro, temos de entregar o segundo na aula seguinte. E, pelo correr da matéria, o terceiro vem na próxima semana. Lórien se preocupa um bocado, mas, quando vai fazer o segundo exercício, algo aconteceu, e, o que era difícil, começa a se tornar fácil. Eu quase não acreditei quando pude traduzir algumas frases sem olhar nas anotações, ver que já identifico terminações e diversos tipos de pronomes. Parece que começo a pegar o jeito... Tudo se organiza, sem que eu precise tomar nenhuma atitude radical. Definitivamente, esse negócio de ser, por um mês, o Homem Pendurado é divertido
Assim meu semestre se delineia: Muito estudo de grego, bordados, grupos de estudos, celebrações, trabalho... Estou feliz, me divertindo, e, na medida do possível para alguém com uma vida como a minha, sinto estabilidade... Uma frágil, e doce estabilidade...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Lua Crescente de Rainha de Espadas

Essa Lua Crescente foi bastante produtiva! Apesar do cansaço, é claro...

A carta foi, especialmente, um estimulante para meu lado intelectual. Consegui fazer tudo o que precisava com eficiência, embora estivesse com muito medo de as coisas não darem certo, ou eu não conseguir fazer tudo. O fato de eu escrever no blog nesse momento e ter passado por aqui essa manhã só ocorreu por que precisei de bem menos tempo para fazer a tarefa para a aula de grego de amanhã do que eu imaginava.
Além de estar me sentindo um pouco menos assustada com o grego (embora eu tenha plena consciência de que vou ter dificuldade de acompanhar o rítmo do curso), ainda fui relativamente bem no concurso que prestei no domingo: Eu consegui fazer praticamente todas as questões, inclusive as de matemática, tendo estudado apenas umas horas, uns 20 dias atrás... Só que, é claro, tive o mesmo problema de sempre com a danada da álgebra que insiste em não me amar: Errei nas contas, depois de ter me matado prá encontrar o raciocínio que resolve o problema, e isso ocorreu em umas três questões!
Também li bastante por esses dias: Terminei O Inimigo de Deus, e, em uma semana, lí Negrinha, do Lobato, que, como a Nilda tinha dito, é excelente! Também estou com idéias novas para o grupo de estudos, mas esse é um capítulo à parte, sobre o qual escreverei em breve.

Sofá da Álex: Reivindicados pelos Deuses

http://sofalex.blogspot.com/2009/03/reivindicados-pelos-deuses.html
Assim como o episódio podcast da Pietra que está em algum dos links mais abaixo, esse é um texto com o qual eu concordo e que mostra, nas palavras de outrem, um pouquinho da minha visão sobre a religião que eu sigo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Livros que eu li ano passado

Fiz essa lista para o Grupo de Estudos de Literatura Fantástica e resolvi copiar aqui. Não estou contando as dezenas de leituras de capítulos de livros que faço todo o ano, nem os três ou quatro livros que eu comecei e não terminei (esses eu conto como desse ano, se eu terminar).
Eu também posso ter esquecido de anotar algum livro, pois, ano passado, não fui muito rígida com minhas anotações. Esse ano pretendo fazer uma lista mais metódica, e, se der, ler bem mais que isso. Se bem que, provavelmente, embora eu tenha terminado a faculdade, as leituras para o grupo de estudos vão consumir bastante do meu tempo :)
Aqui vou colocar alguns comentários que não pus no GELF

1) Os Livros da Magia: O Convite (Carla Jablonski)
2) Os Livros da Magia: Encantos
Fiquei morrendo de vontade de ler os outros livros. Eis uma coisa que tenho que pesquisar e comprar assim que possível
3) Sonhos de Uma Noite de Verão (Shakespeare) - Reli pois tinha lido muito novinha, e era citado nos livros que menciono acima. Depois, topei com outra obra do Gaiman sobre o Sonhos, que está quase no fim dessa lista.
4) Princípios do Druidismo (Emma Restall Orr)
5) O poder dos Números - Todas as combinações numéricas que podem mudar sua vida (Glynis McCantis) - tem uma resenha dele na parte de resenhas desse blog
6) O Livro de Ouro da Mitologia (Bullfinch) - que, como eu venho dizendo, não é tão execrável ocmo muitas pessoas dizem. É só considerar o tempo em que o Bullfinch viveu.
7) Ritual - Emma Restall Orr
8) Macaco - Uma Jornada para o Oeste (recontado por David Kheridan)
9) A flauta mágica (adaptação de Rosana Rios) - li para os meus alunos no breve período que trabalhei na Prefeitura
10) Os Sete contra Tebas (Ésquilo)
11) Os deuses da Grécia (Walter F. Otto) --> Mega recomendado!
12) Matacão - Uma lenda Tropical (Karen Tei Yamashita) --> Estou devendo uma resenha desse
13) Para não ler ingenuamente uma tragédia grega (Raquel Gazola)
14)Groo, o Errante (não lembro mais o nome da revista que eu li)
15) O I-ching e você (releitura) - Diana Ffarington Hook
16) Sandman (era uma coletânea com várias histórias, entre elas, sonhos de uma noite de verão, um sonho de mil gatos, e uma muito legal com a Morte que eu não consigo lembrar o nome de jeito nenhum)
17) O Rei do Inverno (Bernard Cormwell) - Fiquei apaixonada pelo estilo de narrativa desse livro! Já encomendei o volume 2, está com meu irmão em Osasco, e mal posso esperar para ler.

E vocês, o que leram? Seria interessante ver esse exercício em outros blogs!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Algumas coisas que descobri em 2008

Eu já venho refletindo sobre o meu ano há algum tempo, e já postei algumas coisas aqui antes. Então, vou colocar aqui apenas algumas descobertas importantes, alguns apredizados que me surpreenderam no ano que passou.

-A maior surpresa prá mim foi descobrir que não quero mais trabalhar com educação. Não, pelo menos, do jeito que em geral concebemos a coisa. Quero ensinar coisas que gosto a pessoas interessadas, e não coisas inúteis a crianças cheias de vida que tem de ficar trancadas em salas de aula porque os pais estão pagando, ou que precisam de muito mais do que toda a minha energia é capaz de envelhecer. Descobri que trabalhando nessas condições, eu adoeço. Eu podia ter descoberto isso ano passado, mas eu achava que, sob outras circunstâncias, as coisas seriam melhores.

-Vinculado a isso, morreu o grande sonho que foi projetado prá mim desde pequena: Não vou ser professora de escola pública pelo resto da vida prá ter um trabalho que me dê dinheiro certo. Eu preciso de mais um ou dois anos só para cogitar a idéia de prestar concurso público outra vez. Não é só pagar a taxa, estudar, passar, e você está lá. É um processo mais longo e cheio de ansiedade que isso.

-Descobri que já tenho créditos suficientes para me formar, e já me considero formada. No entanto, isso me deixa mais perdida que cego em tiroteio, pois já vi que vou usar meu diploma para uma coisa completamente diferente do que eu pensava em fazer, e, ao mesmo tempo. nunca estive sem estudar, desde os quatro anos de idade, e não estou conseguindo me adaptar a esse processo. Já fiquei um semestre a mais que o necessário na faculdade, e provavelmente fico pelo menos mais um.

-Descobri que, apesar de, à primeira vista, ver o mundo como o fluxo das energias Yin e Yang parecer bobinho, a coisa é menos simplista e mais complexa, profunda, real, e divertida do que parece. E que exige muito, muito mais estudo que aparenta.

-Aliás, descobri que tenho prazer em conhecer religiões diferentes da minha.

--Falando na minha religião, descobri que não sou mais uma novata, embora pareça que foi ontem que começei a trilhar meu caminho. Também não sou nenhuma mestra, mas já aprendi um monte de coisas que posso compartilhar, já que conhecimento pede movimentação.

-Descobri que as formas que os oráculos anunciam coisas a nós pode ser absurdamente variadas: Podemos ter respostas engraçadas de tão literais, como podemos ter respostas realmente enigmáticas, e aquelas que estão o tempo todo debaixo de nosso nariz, mas não entendemos. Nesse sentido, algumas de minhas atitudes perante as respostas desse ano foram enganos quase do tipo do de Édipo, enquanto outras vão me deixar por anos ainda dizendo "eu disse que era isso? Eu aviseeei, eu aviseeeeei", e vou me permitir ser tão chata quanto o burro do Shrek, pq complexo de Cassandra é muito chato.

-Continuo acreditando em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, sacis com frio no pé e formigas que bebem AdeS, no entanto não acredito mais em amizade à primeira vista. Os vínculos que vêm muito intensos desde o começo, acabam tão rapidamente como começam. E as outras pessoas podem nem sentir, mas eu acabo me entregando, e me lascando, e acabo deprimida por meses depois que a meleca acaba. Caí nessa ilusão duas vezes, e pretendo não cair na terceira. Em compensação, vou dar mais atenção às pessoas que chegam como quem não quer nada, que são moderadas e com as quais parece que você nunca vai ter grandes intimidades, pois são essas que sabem ser amigas prá vida inteira. Se até com o Chronos meu relacionamento começou assim, pq diabos eu tento fazer o contrário? Eu entendo que com outras pessoas isso funcione super bem, mas, da minha parte, estou fugindo de relacionamentos como esses.


sábado, 27 de dezembro de 2008

Natal, Héstia, Pequenos Milagres, Cura

Era o início de Dezembro. Meu irmão se casara no meio do mês anterior, e percebi que minha mãe e meu pai passariam o natal sozinhos. Pensei que poderiam se sentir tristes. Achei que, por mais que acabasse não sendo o mais divertido, o mais certo era que eu fosse passar o natal com meus pais. Liguei, e perguntei o que eles iam fazer.

No primeiro momento, minha mãe disse que eu não precisava se preocupar, que ficariam sozinhos, o casamento tinha sido festa suficiente. No segundo momento, disse que se quiséssemos mesmo ficar por lá, podíamos jogar uma partida de buraco, o jogo de reunião de família tradicional da casa de minha avó. Mandei e-mails para o meu irmão, perguntando se ele viria, mas eu e Chronos já havíamos confirmado.

Quando meu irmão confirmou, mas dizendo que ia voltar cedo por causa da família da Camila, minha mãe convidou também a famíla da minha cunhada. Meu irmão disse que era muito difícil que viessem, mas todos acabaram vindo.

Duas tempestades, as claras em neve, e o gás que acabou me atrasaram um bocado. Pretendia estar lá bem mais cedo, para curtir mais. Quando cheguei, minha cunhada estava lá, com minha mãe na cozinha, fazendo salada, comidas japonesas, e colocando o tender para assar.

Eu sabia que meu irmão levaria o tender, mas eles planejavam levá-lo assado. Esqueci de perguntar o que aconteceu. Mas o fato é que o forno da minha mãe foi aceso.

Tenho 24 anos, então meus pais estão com quase trinta de casados, e o fogão vem dessa época. Mas o forno daquele fogão NUNCA tinha sido aceso até então. Pode parecer estranho para qualquer um de vocês, mas minha mãe temia um vazamento de gás caso ligasse o forno.

Minha mãe, aliás, é uma pessoa cheia de temores e manias. Quando eu morava com ela, nunca podia levar amigos em casa, pois ela tinha vergonha de minha casa, medo do julgamento de meus amigos, e horror à bagunça que eu podia fazer. Chronos só entrou na minha casa duas vezes por emergência antes de casarmos. E, devo admitir, esse foi um dos fatores que apressou muito nosso casamento, da minha parte. Como era proibida de trazê-lo em casa, eu tinha que sair constantemente, e meus horários de chegar, ou o fato de passar noites fora, enraiveciam minha mãe, e faziam com que ela brigasse constantemente comigo. A minha cunhada já aproveitou um pouco mais da compania dos meus pais, pois minha mãe deixou de ser tão rígida quando eu casei.

Ceia preparada, todos comendo, e eu percebi o que estava acontecendo: Haviam nove pessoas naquela casa, e isso nunca havia acontecido. E, simplesmente, eramos uma família. De um jeito que nunca haviamos sido antes. Minha mãe, pela primeira vez, teve uma postura de mãe com filhos crescidos e independentes: Não eramos mais apenas quatro. Todos tinham presentes, se divertiam, riam, e comiam. Minha mãe não achou que eu, Chronos, e o namorado da irmã da Camila eramos alcólatras porque começamos a comentar sobre teor alcólico de diversas bebidas. E ela havia se escandalizado quando soube que eu bebia.

Quando eu realmente percebi tudo o que estava acontecido, um sentimento terno e maravilhoso se apoderou de mim. Não sei se os outros haviam percebido, mas um pequeno milagre estava acontecendo, naquele momento. E meu conceito de pequeno milagre foi, muito parecido com o de um desenho japonês para crianças que eu vira uma vez, chamado Kokoro Toshokan. Era um fato aparentemente cotidiano, que se tornava maravilhoso pelo sentimeto que trazia, assim como pela inocência e espontaneidade que o haviam produzido. E eu conseguia visualizar uma cena muito parecida, num futuro nem tão distante, com meu filhinho correndo por todos os lados e sendo mimado como o pequeno da família.

Então, em epifania, me lembrei do forno aceso, que cozinhara nosso tender. E soube o nome do milagre. Pois o fogo de Hestia tinha sido aceso. Era a senhora do lar, em seu devido lugar. Era ela que, sempre discreta, presidira aquela festa, em que nenhuma criança da promessa foi lembrada. E o Senhor do Olimpo, com seus raios, a abençoou.

Voltei apenas ontem à noite para casa. Afinal, agora estava em casa também na casa de minha mãe. O efeito de tudo isso em mim foi excepcionalmente curativo. Ver um padrão viciado ser rompido da forma correta muito me alegrou. Estou em uma espécie estranha de transe até agora. Felicidade, alívio, e contentamento em saber que meus deuses me seguem onde quer que eu vá.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lua Adversa

Poeminha para homenagear minha carta de lunação, A Lua. Me lembrei dele ontem na hora que estava tomando banho. Conheço como sendo de Cecília Meirelles, mas, para falar a verdade, não tenho certeza absoluta da autoria.

Eu ainda não estou com tempo de escrever, várias coisas estão passando em branco. Bem, paciência.

Lua Adversa
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...